HOMENAGENS

 

Antonieta deixa o legado do profissionalismo e paixão pela atividade que sempre demonstrou na alegria e de viver e dançar.  A dança se despede de uma estrela e o Rio perde uma de suas ilustres filhas. A mestra Maria Antonieta Guaycurs de Souza morreu na manhã do dia 7 de abril, aos 83 anos, após sofrer um infarto no Hospital Souza Aguiar, onde estava internada havia oito dias. A “dama dos salões”, como era conhecida, e o enterro aconteceu na manhã do dia 8, no Cemitério do Catumbi. Antonieta foi a precursora da dança no país e revelou grandes nomes, como Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa.
No velório, muita emoção entre os familiares, admiradores e ex-alunos. O bailarino Carlinhos de Jesus e a escritora Glória Perez compareceram para prestar as últimas homenagens à professora. Segundo os amigos, Maria Antonieta representou a dança dignamente em uma época em que a prática era vista com maus olhos. Para Lourdes Braga, presidente do Sindicato da Dança, o momento serve para resgatar a memória da dança de salão, assim como a de grandes nomes da arte, como Antonieta.


                   "A professora enfrentou preconceitos e se tornou exemplo de vida e de simplicidade”, disse o jornalista Edézio Paz. Um dos primeiros alunos da mestra, o médico Arthur Dosísio, conta que aprendeu muito mais que passos. “Ela ensinava mais que coreografias, mostrava o universo das gafieiras e as doutrinas dos salões, diferente do que acontece hoje, em que o tecnicismo das aulas impera”, desabafou Carlinhos de Jesus completa dizendo que Antonieta “mostrou outra visão da atividade, como o convívio social”.


                                                                                Passos e compassos de uma vida de sucesso
Maria Antonieta foi empregada doméstica, cabeleireira e garçonete, mas chegou ao posto de rainha quando encontrou sua verdadeira vocação, a dança. A manauense veio para o Rio aos 14 anos, sempre morou com os avós, e desde garota foi incentivada a dançar, cresceu em Santa Teresa, no Silvestre, em meio a saraus dançantes, assim tomou gosto pela arte e logo começou a ministrar aulas. Na década de 40, aos 17 anos, comandou sua primeira turma.
                       A dança sempre serviu como inspiração para a vida de Antonieta. A dama, casada por três vezes e mãe de oito filhos, chegou a ser proibida de dançar por um de seus maridos e ficou fora das academias por 12 anos. Entre altos e baixos, ela venceu mais uma etapa difícil, um câncer, e continuou a plantar sua filosofia: a lição de vida através da dança, do afeto e da paz.
                        Maria Antonieta dizia que qualquer pessoa podia aprender os ritmos, por isso dedicou sua vida a ensinar todo o charme da dança. Nos 60 anos em que atuou como professora, sempre transmitiu energias boas e até os últimos momentos de sua carreira encantou com sua vitalidade e alegria. “Ela nunca esteve triste, sempre se manteve de bem com a vida”, contou Ester Lopes, proprietária da Gafieira Elite, onde Maria Antonieta ministrou suas primeiras aulas.

                                                                                                      Depoimentos

Para mim, Antonieta significa perseverança, coragem. Ela sempre será a rainha dos bailes”. Ester Lopes (proprietária da Gafieira Elite).


“Uma história inesquecível de Maria Antonieta tem a ver com sua ousadia no salão. A dança, antes muito machista, determinava ao cavalheiro a condução do ritual, mas ela foi além e inventou um passo, adicionando voltas à coreografia, atitude arrojada, porém de mestre. Ela dançou suas alegrias e tristezas, sem perder sua irreverência e sua graça”. Glória Perez (escritora)
 

"Toda a visibilidade e valorização da dança hoje os jovens professores devem a Antonieta, que abriu as portas para o universo artístico”. Lourdes Braga (Presidente do Sindicato da Dança).
“Planejo o museu da dança para preservar e resgatar as memórias não só de Maria Antonieta, mas de toda a dança de salão”, Edézio Paz (jornalista e presidente do Jornal da Dança).


“O lema de Antonieta sempre foi: ‘onde houver dança, há esperança’, e uma das primeiras coisas que ela fez após vencer o câncer foi dançar na Estudantina”. (Arthur Dosisio, ex-aluno).


“Aprendi com ela o saber repartir e a ter autoconfiança. Antonieta sempre foi muito ética e correta no salão; respeitava os alunos e se mostrou guerreira, pois sustentou os filhos com a dança”. Carlinhos de Jesus (bailarino e coreógrafo)

 

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